O Dia de Iemanjá, celebrado em 2 de fevereiro, volta a direcionar os olhares para o bairro do Rio Vermelho, em Salvador. A festa, uma das festas religiosas mais tradicionais da Bahia, chega aos 104 anos. Desde a madrugada, devotos vestidos de azul e branco devem ocupar a praia e as ruas do bairro para prestar homenagens, renovar pedidos e agradecer graças alcançadas.

Festa de Iemanjá: confira a programação dos 103 anos da festa.Foto: Lucas Moura/Secom PMS
Programação
A programação oficial começa ainda no domingo (1º), à meia-noite, com a entrega do presente de Oxum no Dique do Tororó. A oferenda sai do Terreiro Olufanjá – Ilê Axé Iyá Olufandê, no bairro do Beiru, às 23h20.
Já na segunda-feira (2), o presente principal de Iemanjá será conduzido a partir das 4h30, também com saída do Terreiro Olufanjá – Ilê Axé Iyá Olufandê. A previsão é de chegada às 5h à Colônia de Pesca Z1, no Rio Vermelho, onde acontece a tradicional alvorada de fogos.
Com o tema “Yemanjá: a Mãe que Ilumina a todos nós”, a festa é organizada pela Prefeitura de Salvador em parceria com a Colônia de Pesca Z1. O presente principal ficará no caramanchão até as 16h, espaço onde os fiéis também depositam suas oferendas em grandes balaios, que posteriormente são levados ao mar.
Após as 16h, o presente principal será conduzido pelos pescadores até a embarcação e seguirá pelo mar em direção ao Buraco de Iaiá, formação em formato de concha localizada a cerca de três milhas náuticas da costa, ponto tradicional de entrega das oferendas.
Entre as 6h do domingo (1º) e as 16h da segunda-feira (2), pescadores e colaboradores organizam o fluxo de adeptos e visitantes para o acesso à Casa de Iemanjá e a passagem pelo Barracão, garantindo a segurança e a continuidade dos rituais ao longo da celebração.

Desde a madrugada, fiéis vestidos de azul e branco se reúnem na praia e nas ruas para homenagear a orixá. | Foto: Jefferson Peixoto/Secom
Festa de Iemanjá
Tombada em 2020 como Patrimônio Cultural de Salvador, a festa é celebrada no Rio Vermelho desde 1924, segundo o Babalorixá Indarê Sá dos Santos, do terreiro do Obatayó, em Cajazeiras. Ele afirma que relatos orais indicam que o culto ocorre desde o século XIX. O historiador Murilo Mello destaca que registros do intelectual Manoel Querino já apontavam, naquele período, grandes concentrações de pessoas para cultuar Iemanjá na capital baiana.
Não há, no entanto, uma versão única sobre o local dos cultos antes da popularização da festa do Rio Vermelho, a principal da capital baiana em homenagem a Yemanjá atualmente. “Os filhos de santo e os pais de santos cultuavam a Mãe D’Água atrás do Forte São Bartholomeu, atrás da Ponta do Humaitá” , diz Murilo. Com o tempo, segundo o historiador, ganhou força o festejo em homenagem ao orixá no bairro de Itapuã. Já o babalorixá afirma que, em Salvador, as homenagens ao orixá começaram a ser feitas no Dique do Tororó.


