Carreira internacional cresce e brasileiros ganham vantagem em cenário global

Executivos afirmam que profissionais do Brasil são cada vez mais disputados por empresas internacionais, graças à adaptabilidade cultural e capacidade de atuar em ambientes complexos

Construir uma carreira internacional deixou de ser um movimento raro e passou a integrar a estratégia de muitos profissionais brasileiros que buscam crescimento, competitividade e experiências multiculturais.

Para Anderson Mendonça, executivo sênior de Operações, Engenharia e Excelência Operacional, com mais de duas décadas de atuação global nos setores automotivo, mineração, metalurgia, têxtil e mobilidade elétrica, a globalização abriu portas inéditas — e colocou o profissional brasileiro em posição de destaque.

Com passagens como líder de instituições globais como Vale, Lear e Randoncorp, e projetos internacionais na América do Norte, Europa, Ásia e África e Sudeste Asiático, Anderson afirma que a vivência internacional transforma a carreira e a visão de mundo. “Quando você trabalha fora, percebe que a capacidade de adaptação é tão importante quanto o conhecimento técnico. E nisso, o brasileiro sai na frente”, diz.

O valor do brasileiro no mercado global

Executivos afirmam que uma das características mais valorizadas no brasileiro é a habilidade de transitar entre culturas diferentes sem resistência. Para Anderson, essa flexibilidade é um diferencial competitivo real. “O brasileiro tem uma plasticidade cultural que impressiona. O brasileiro tem uma capacidade singular de interpretar nuances culturais e se adaptar rapidamente a novos contextos. Poucos países formam profissionais tão resilientes e multifacetados.”

A visão é compartilhada por Esdras Cortes, support manager da Totvs, que lidera equipes voltadas a contas internacionais. Em sua avaliação, empresas estrangeiras frequentemente destacam essa qualidade. “Quando um gestor internacional me pergunta sobre contratar brasileiros, eu sempre digo: espere alguém comprometido, comunicativo e aberto ao novo. Essa combinação gera confiança e acelera a integração”, afirma.

A coordenadora de logística Mabrisa Benevides, que trabalha em home office atendendo operações de transporte nos Estados Unidos, México e Canadá, reforça essa percepção. Lidando diariamente com clientes e equipes em inglês e espanhol, ela diz que a mudança de contexto não intimida a maioria dos brasileiros. “Nós somos treinados na adversidade desde cedo. Isso faz com que a adaptação ao cenário internacional seja quase natural.”

O que significa ter uma carreira internacional

Para Anderson, trabalhar fora não é apenas ocupar uma vaga em outro país — trata-se de uma mudança completa de postura profissional. Ele explica que atuar internacionalmente envolve entender novas formas de liderar, assimilar culturas organizacionais distintas e lidar com legislações e práticas industriais diferentes. Segundo ele, é um processo que exige maturidade e flexibilidade. “Você não vai para fora para ser apenas um técnico melhor. Você vai para se tornar um profissional global.”

Esdras concorda, afirmando que uma carreira internacional depende de curiosidade constante, sensibilidade cultural e disciplina para aprender novos códigos sociais. “Mais do que falar inglês, é entender como um indiano negocia, como um alemão organiza prazos, como um americano reage a um problema. É isso que diferencia um profissional internacional.”

O caminho para a oportunidade encontrar o candidato preparado

Segundo Anderson, o maior erro de quem deseja trabalhar fora é esperar apenas pela “oportunidade certa”. Ele afirma que, no cenário global, a oportunidade só se concretiza quando encontra preparação. “A vaga internacional não é um prêmio. Ela é consequência de consistência. Quando o preparo encontra a oportunidade, aí sim o projeto acontece.”

Ele explica que essa preparação envolve três pilares principais: domínio técnico robusto, comunicação global (especialmente inglês) e mentalidade aberta para o novo. Sem esses elementos, afirma, o profissional pode até chegar ao exterior, mas dificilmente cresce. “As empresas procuram quem entrega resultado e se adapta rápido. É simples: sem preparo, você vira espectador; com preparo, vira protagonista.”

Para Mabrisa, que vive diariamente a realidade multicultural por meio do trabalho remoto internacional, a preparação precisa incluir disciplina e desenvoltura digital. “Você precisa estar pronto para responder, solucionar, negociar e liderar mesmo à distância. A empresa não vai te dar tempo para aprender depois. O preparo vem antes.”

Mobilidade interna e trabalho remoto ampliam acesso a carreiras globais

Na avaliação dos especialistas, a porta de entrada para o mercado internacional está mais acessível do que nunca. Anderson afirma que muitos profissionais começam a carreira global ainda no Brasil, participando de projetos com times internacionais ou em multinacionais que oferecem mobilidade interna. “Foi assim comigo. O passaporte carimbado veio depois, mas a mentalidade global começou muito antes.”

Para Esdras, outro fenômeno favorece quem busca esse caminho: a consolidação do trabalho remoto internacional. Ele relata que empresas dos EUA, Canadá e Europa têm buscado brasileiros para atuação remota em áreas como logística, tecnologia, atendimento e operações. “Hoje, você consegue viver no Brasil, ganhar em dólar e trabalhar com equipes do mundo inteiro. É uma revolução silenciosa.”

A próxima década deve ampliar a demanda por talentos globais

Executivos concordam que a próxima década será um dos períodos mais favoráveis para brasileiros que buscam internacionalização. A combinação entre escassez global de profissionais qualificados, avanços tecnológicos e reconfiguração geopolítica abriu um cenário de oportunidades em setores estratégicos. Segundo Anderson, “o mundo precisa de profissionais preparados, e o Brasil tem uma geração inteira pronta para ocupar esse espaço”.

Ele reforça que a oportunidade é real — mas exige coragem e preparo. “O mercado global recompensa quem enfrenta desafios, não quem espera facilidades. A carreira internacional não é sorte. É preparo, coragem e decisão estratégica”, finalizou

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