Agosto Lilás: profissionais de saúde participam de palestra sobre Lei Maria da Penha e proteção às mulheres vítimas de violência no 16º Centro

Encontro liderado por especialista no tema discutiu como a equipe pode reconhecer sinais de violência e orientar pacientes sobre a rede de proteção.

Em meio à programação do Agosto Lilás, o 16º Centro de Saúde Maria Conceição Imbassahy promoveu, nesta quarta-feira (26), uma palestra sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha e a importância dos instrumentos jurídicos de proteção às mulheres sobreviventes de violência doméstica.

A atividade, realizada no auditório da unidade localizada no Pau Miúdo, em Salvador, reuniu multiprofissionais para ampliar conhecimentos, esclarecer dúvidas e discutir como o Sistema Único de Saúde (SUS) pode atuar diante de situações de risco.

Convidada pela gestão, a advogada Letícia Ferreira conduziu o encontro e abordou os diferentes tipos de violência previstos na legislação, além dos mecanismos de proteção e enfrentamento aos crimes de gênero. A discussão também trouxe para o cotidiano do Sistema Único de Saúde (SUS) a necessidade de reconhecer sinais que podem indicar que uma paciente está vivenciando uma situação de violência.

“Tantas mulheres que nos cercam podem estar nessa condição de violência psicológica, de violência moral, de violência patrimonial, muitas delas têm dependência econômica, pelo homem ser o provedor da família. Então, ela não pode fazer nada, vem aqui no atendimento se cuidar. Todas as violências trazem agravo de saúde. Antes de tudo, precisamos reconhecer esses problemas”, afirmou.

A advogada também destacou a trajetória da cearense Maria da Penha Maia Fernandes, hoje com 81 anos, alvo de dupla tentativa de feminicídio cometida pelo ex-marido, que a deixou paraplégica, deu origem à legislação que leva seu nome, e ressaltou que a violência doméstica continua sendo uma realidade que exige atenção permanente.

“Esses direitos dependeram de muita luta e de muito esforço. Primeiro, devemos dar a nossa gratidão a Maria da Penha, que foi uma mulher sobrevivente de violência, que transformou a sua dor em luta ao romper o silêncio. Recentemente, o seu agressor voltou a ser preso após espalhar mentiras contra ela nas redes sociais. Isso demonstra que violência doméstica é uma situação grave, urgente, presente, até inclusive para a mulher que deu o nome a essa lei”, concluiu.

A assistente social Gladys Amorim agradeceu por Letícia Ferreira ter aceitado o convite e ressaltou o quão necessário é trazer uma especialista para falar sobre um tema tão sensível como esse, contribuindo para qualificar a escuta e o acolhimento oferecidos pelos profissionais de saúde.

“A violência contra a mulher chega aos serviços de saúde de diferentes formas, muitas vezes sem ser dita. Quanto mais preparados estivermos para reconhecer esses sinais, acolher sem julgamentos e orientar corretamente, maior será a nossa capacidade de proteger e encaminhar essa mulher para a rede de apoio”, ressaltou.

A iniciativa integra as ações de educação permanente promovidas pela Fundação ABM de Pesquisa e Extensão (Fabamed), gestora da unidade, que busca fortalecer continuamente a qualificação dos profissionais e aprimorar os processos de cuidado, especialmente diante de temas que atravessam a assistência e exigem atuação integrada das equipes.

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