Cuidar de um recém-nascido também envolve olhar para quem está ao seu lado. Com esse propósito, a Maternidade Professor José Maria de Magalhães Netto, no Pau Miúdo, em Salvador, promoveu nesta segunda-feira (14) uma ação do Setembro Amarelo voltada para mães, pais e acompanhantes de bebês internados na unidade, que é gerida pelo Instituto de Gestão e Humanização (IGH). A campanha Setembro Amarelo é dedicada à conscientização sobre a saúde mental e à prevenção do suicídio, incentivando o diálogo, a escuta e a busca por ajuda diante do sofrimento emocional.
A iniciativa foi conduzida pela equipe de Psicologia da maternidade e contou com uma palestra da psicóloga Ana Soto, que abordou os impactos emocionais vivenciados pelas mulheres durante o puerpério e o período de internação do bebê. Entre os temas discutidos estiveram as mudanças na rotina, as oscilações de humor, a adaptação à maternidade e a importância de reconhecer os próprios sentimentos.
O período após o parto já é marcado por transformações físicas e emocionais e pode se tornar ainda mais delicado quando o bebê precisa permanecer internado ou receber cuidados em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal. A expectativa pelo nascimento pode dar lugar à preocupação com a saúde da criança, enquanto a mãe também enfrenta o próprio processo de recuperação. Nesse contexto, medo, ansiedade, culpa, insegurança e cansaço podem aparecer e precisam ser acolhidos, sem julgamentos.
“Quando nasce um bebê, nasce também uma nova mulher. É um período de muitas mudanças, em que sentimentos diferentes podem aparecer ao mesmo tempo. Existe o amor, mas também podem surgir medo, insegurança, cansaço e ansiedade. Quando esse bebê precisa ficar internado, esses sentimentos podem se intensificar. Por isso, é importante que essa mãe também consiga olhar para si, reconhecer o que está sentindo e entender que pedir ajuda faz parte desse processo”, destacou Ana Soto, psicóloga da maternidade.
Durante a ação, o espaço de conversa também permitiu que os acompanhantes refletissem sobre a importância de cuidar da própria saúde emocional enquanto acompanham o tratamento dos recém-nascidos. A proposta é fortalecer uma rede de apoio dentro da própria maternidade, mostrando que o cuidado não se limita ao bebê e que familiares também precisam encontrar espaço para falar, ser ouvidos e receber orientação.
A iniciativa integra as ações de cuidado humanizado desenvolvidas na unidade e chama atenção para a importância de falar sobre saúde mental também dentro das maternidades, onde famílias podem vivenciar momentos de grande vulnerabilidade emocional. A escuta e o acolhimento podem ajudar a identificar sinais de sofrimento e aproximar mães e acompanhantes da rede de apoio necessária para atravessar esse período.


